Jornalista e escritor, um dos maiores conhecedores da música brasileira. Rodrigo Faour é pesquisador e produtor musical, autor de quatro livros, entre eles “A História Sexual da MPB”. Acaba de lançar o CD Nelson Cavaquinho 100 anos – Degraus da Vida, em homenagem ao centenário do sambista. Carioca, Rodrigo adora praia, principalmente Ipanema. É o nosso convidado pra inaugurar “A minha Pegada”, papo com cariocas de origem ou coração, que contam pra gente sobre a história de amor com o Rio e o que pode melhorar na cidade.
O que é ser carioca pra você?
Ser carioca é levar o despojamento a sério. É ter jogo de cintura, bom humor e exercer sempre que possível a sedução.
Dá pra viver de forma simples no Rio?
Eu adoro andar de bicicleta explorando o melhor da zona sul e vou à praia diariamente em Ipanema, sempre que tenho uma brecha no meu dia de trabalho. Não há maneira melhor de se integrar à natureza do Rio. Há quem goste de escaladas ao Corcovado, Pão de Açucar ou Pedra da Gávea ou ainda voar de asa delta ou saltar de pára-quedas na Praia do Pepino, mas dispenso esportes radicais. Para mim, Ipanema é a praia urbana mais linda do mundo. Só faltava chuveiros decentes pra gente tomar banho na hora de ir embora. Aí seria perfeito.
Qual a trilha sonora da cidade?
Principalmente samba, samba-funk, bossa nova e funk carioca. Cada região, geração e classe social tem sua predileção.
Você percebe um momento de revitalização cultural e valorização do patrimônio musical carioca?
Percebo ainda timidamente. A zona sul foi muito esvaziada. É uma pena ver que Copacabana, que já abrigou uma montanha de shows e peças, está praticamente fora do circuito cultural. Em compensação, a cidade voltou a avançar em direção ao Centro e ali sim a cada dia abre uma casa nova, um pagode, um hip hop ou um rock para quem quiser dançar em cada esquina.
A construção do Novo Museu da Imagem e do Som na Praia de Copacabana poderá ser de fato um marco cultural na cidade e poderá trazer de volta à zona sul uma arena cultural da maior importância. Tenho orgulho de ser um dos 5 consultores masters do novo MIS. E estou torcendo pelo seu sucesso.
Em que sentido o Rio pode ser mesmo considerada a melhor cidade do mundo?
O despojamento e a sedução do carioca ainda me atraem muito. Adoro sair de sunga e chinelos de casa, na minha bicicleta, e poder cruzar a zona sul, ir à praia, almoçar e até sacar dinheiro no caixa eletrônico do banco (!) com este figurino. Isto pra mim é o cúmulo do despojamento. E cruzar com a quantidade de homens bonitos de todas as cores e classes sociais na rua diariamente é um luxo. Por isso também que a cidade foi eleita o melhor destino gay do planeta – e não por ter tantos espaços GLS assim, aliás, a cidade carece muito de bons espaços gay friendly.
Pra saber mais sobre o trabalho de Faour: http://rodrigofaour.com.br/
Foto: Débora 70















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