A mais de 60 km do centro do Rio, um grupo de jovens vive uma pequena revolução. Eles são alunos do Colégio Estadual Erich Walter Heine, a primeira escola do Brasil a receber o selo de certificação LEED (Leadership in Energy and Environmental Desig), de uma instituição americana e um dos mais reconhecidos do mundo. Localizada numa pequena comunidade de Santa Cruz, zona oeste da cidade, a escola funciona num prédio completamente sustentável, responsável por dar ao Rio de Janeiro o único título internacional desse tipo do país.
O pioneirismo, por enquanto, vem do projeto arq [...] Leia Mais

A mais de 60 km do centro do Rio, um grupo de jovens vive uma pequena revolução. Eles são alunos do Colégio Estadual Erich Walter Heine, a primeira escola do Brasil a receber o selo de certificação LEED (Leadership in Energy and Environmental Desig), de uma instituição americana e um dos mais reconhecidos do mundo. Localizada numa pequena comunidade de Santa Cruz, zona oeste da cidade, a escola funciona num prédio completamente sustentável, responsável por dar ao Rio de Janeiro o único título internacional desse tipo do país.
O pioneirismo, por enquanto, vem do projeto arquitetônico, totalmente voltado ao conceito da sustentabilidade, com economia de recursos naturais e desenho que favorece o conforto climático. Num bairro que registra altas temperaturas durante a maior parte do ano, o colégio é super ventilado, isso porque foi construído em formato de catavento. O telhado também ajuda a manter o ambiente agradável, com os imensos canteiros de plantas que protegem a escola do escaldante calor de Santa Cruz.

Detalhe: os canteiros foram feitos de sobra borracha, numa tecnologia produzida no Rio Grande do Sul que reaproveita o material para outros usos, como o suporte de suculentas. A inovação também está na iluminação da escola, que tem lâmpadas LED com sensor de presença, e nas torneiras inteligentes da cozinha e banheiro.
O colégio também conta com placas de energia solar e sistema de captação da água da chuva. Para construir o prédio, nenhuma árvore do terreno foi retirada, pelo contrário. Hoje, elas servem de sombra pra um agradável espaço muito usado pelos alunos durante o recreio.
Parceria com a iniciativa privada - Nem um pouco comum no sistema de educação do Brasil, ainda mais se pensarmos no ensino público, o colégio sustentável é uma parceria do governo do Rio de Janeiro com a ThyssenKruppCSA. A siderúrgica está instalada no Complexo Siderúrgico de Santa Cruz há pouco mais de um ano e estabeleceu a parceria pra formação profissionalizante de alunos como técnicos de administração.

A escola não é a primeira do Rio a funcionar a partir deste modelo. Outros dois colégios já foram construídos da mesma forma: o Nave, na Tijuca, voltado pro universo digital, em parceria com o Instituto Oi Futuro, e o Nata, com formação para a indústria de laticínios, num projeto do governo em conjunto com o Pão de Açúcar, em São Gonçalo, região metropolitana do Rio.
O objetivo é criar centros de excelência em determinadas áreas. No caso do Walter Heine, a ideia é formar jovens profissionais que tenham a sustentabilidade introjetada em todo o seu modo de pensar e atuar na sua vida pessoal e profissional. Tarefa que, segundo a diretora da escola, Terezinha Lauermann, depende de uma construção coletiva. “A mudança de atitude não acontece de uma hora pra outra, estamos trabalhando pra construir a sustentabilidade no nosso dia a dia”, explica.
Com a certificação verde por causa do prédio, o Walter Heine quer ir além e conquistar o selo LEED Platinum, que analisa inclusive processos, conteúdo ensinado em aula e relação da escola com a comunidade. Para isso, o currículo escolar foi repensado e os professores passam por cursos constantes de formação. “Existe um trabalho grande também pra repensar todo o funcionamento da escola e as atitudes de professores, equipe e alunos”, revela a diretora. .
Sementes de mudança – Terezinha compara os 200 alunos a sementes, “com essas sementes a gente começa uma floresta”, planeja, já pensando nos resultados da experiência inovadora. Funcionando por pouco mais de um semestre, o Walter Heine recebe alunos de toda a região metropolitana do Rio, selecionados por processo seletivo. A escola profissionalizante funciona em período integral.
Pra quem começa a escrever o primeiro capítulo dessa história, o colégio tem sido uma grata surpresa, inclusive ao questionar conceitos pré-estabelecidos pelos jovens. É o que conta David Salles, de 15 anos. O aluno questionador e muito inteligente viu as suas convicções sobre o tema caírem por terra ao entrar na escola. “Eu achava que sustentabilidade significava abrir mão da qualidade, que uma construção verde necessariamente era feia e quente.

Na escola, David mudou completamente de ideia, e ainda aperfeiçoou as suas teorias. “Agora vejo que dá pra ter opções sustentáveis e ainda garantir produtividade e qualidade, num ambiente que é além de tudo prazeroso”, argumenta. O aluno tem razão, o colégio é super bonito e muito agradável.
Morador de Santa Cruz, ele enxerga o papel da escola muito além da educação formal. Sabe que ali está aprendendo a forjar o seu caráter, e compartilha fora da escola todas as suas descobertas. “Falo pra família e pros amigos o que aprendi aqui e incentivo a mudança. Deixei de ser uma máquina de poluição adolescente ambulante”, revela.
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